Microsoft faz oferta hostil de US$ 44,6 bilhões pelo Yahoo!

A Microsoft fez uma oferta hostil de compra de US$ 44,6 bilhões em dinheiro e ações ao Yahoo!, informou a gigante da informática em um comunicado nesta sexta-feira.

A oferta é hostil porque não foi solicitada e não houve acordo da Microsoft com o conselho do Yahoo! antes do anúncio. Os acionistas do Yahoo! podem aceitar ou recusar a oferta.

O Yahoo disse por meio de nota que recebeu a oferta da Microsoft. "O Conselho de Diretores avaliará a oferta cuidadosamente e no contexto dos planos estratégicos do Yahoo", comentou a empresa. Observou ainda que buscará "o melhor curso da ação para maximizar o valor para os acionistas no longo prazo".

A Microsoft ofereceu US$ 31 por ação pela concorrente, um prêmio de 62% sobre o preço de fechamento da ação do Yahoo! na quinta-feira.

O anúncio inesperado vem em um momento em que a Microsoft, a maior empresa de software do mundo, procura novos meios de competir de forma mais eficaz contra o líder em busca e propaganda on line, o Google.

"Temos grande respeito pelo Yahoo!, e juntos podemos oferecer um grupo de soluções cada vez mais excitante para os consumidores, publicadores e anunciantes, enquanto ficamos melhor posicionados para competir no mercado de serviços on line", disse Ballmer em comunicado.

Em uma carta ao conselho do Yahoo!, Ballmer fez a oferta de US$ 31 por ação e disse que a aquisição não depende de financiamento externo.

"Em fevereiro de 2007, recebi uma carta do presidente do conselho [do Yahoo!] indicando que a opinião do conselho era a de que 'agora não é o momento certo da perspectiva de nossos acionistas para entrar em discussões sobre uma transação de aquisição'", disse Ballmer na carta;

"De acordo com essa carta, a principal razão para essa visão era que o conselho do Yahoo! confiava no 'possível sucesso' se a diretoria executasse com sucesso uma estratégia reformulada vaseada em certas iniciativas operacionais, como o Projeto Panamá, e um significativo realinhamento organizacional. Um ano se passou, e a situação competitiva não melhorou."

Sinergias

A Microsoft disse ter identificado quatro áreas em que as duas empresas juntas gerariam ao menos US$ 1 bilhão em sinergias. A empresa disse ainda que pretende oferecer pacotes de benefícios para manter funcionários-chave do Yahoo! e que acredita que a aquisição receberia autorização dos órgãos anti-truste, sendo concluída no segundo semestre.

O analista Paul Mendelsohn, da Windham Financial Services, disse achar que o negócio faz sentido. "O Yahoo! está tendo problemas para competir contra o Google. Seja o preço bom ou não, não vejo ninguém que poderia pagar mais que a Microsoft."

Já o corretor Tim Smalls, da corretora norte-americana Execution, não vê tantos benefícios. "É chocante! Para mim, o prêmio parece exorbitante por um negócio em decadência. Pessoalmente, não vejo como as sinergias Microsoft-Yahoo! vão enfrentar o Google."

Mudanças

A oferta da Microsoft vem depois que o Yahoo! anunciou na quinta-feira à noite que o presidente do conselho, Terry Semel, deixaria a empresa depois de 7 anos. Semel havia deixado o cargo de presidente executivo há sete meses após pressão dos acionistas, que o criticavam por não gerar receita com propaganda com a eficiência do rival Google.

O presidente o Yahoo!, Jerry Yang, também anunciou nesta semana que a empresa demitiria 1.000 pessoas, ou 7% de sua força de trabalho, para cortar custos.

Ações

As ações da Microsoft eram negociadas em queda de 4,7% a US$ 31,08 às 12h48, na primeira meia hora do pregão regular na Bolsa de Nova York, enquanto os papéis do Yahoo! disparavam 49,1% a US$ 28,60.

Já o Google, que já operava em baixa antes do anúncio, acelerou as perdas e passou a cair 5,3% para US$ 534,16. Os investidores tampouco gostaram dos resultados do Google, publicados na noite de ontem, que ficaram abaixo das previsões de analistas. O Google informou que seu lucro líquido cresceu 17% para US$ 1,21 bilhão (US$ 3,79 por ação) no quarto trimestre, enquanto a receita aumentou 51% para US$ 4,83 bilhões no quarto trimestre.

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